e-Mail originalmente enviado a familiares e amigos no dia 29/07/2004.
Lembrando que todos os nomes mencionados são fictícios.
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(...continuação)
San Marino
A menor e mais antiga república do mundo! O país inteiro cabe numa montanha. Pode-se dizer que suas cidades não ficam uma ao lado da outra, mas sim uma sobre a outra. Uma incrível experiência 3D!
San Marino é bastante diferente - não do resto da Itália, mas quando o vemos como uma nação autônoma. É uma montanha, onde pipocam poucas cidadezinhas, e cuja capital fica no topo.
A capital é toda murada e tem uma arquitetura medieval interessante. Vive do turismo, o que se reflete na abundância de lojas de souvenires e restaurantes. Não se pode andar de carro por lá e a guarda real tem uma roupitcha redícula.
Caminhamos pelas ruelas da capital, degustamos licor de Amaretto (típico do país), admiramos a vista, tiramos fotos e comemos no Mc Donald's. Mais um país minúsculo para a coleção.
Rocca San Casciano
Cidade natal do meu bisavô. Uma cidadola desconhecida, cravada no meio da Toscana (região que será descrita posteriormente – aguardem trocadilho infame!). Pequena e muito típica.
Como estávamos bastante atrasados, passamos só meia hora lá, tirando fotos. O objetivo inicial era bater na porta de algum “familiar” (cujos endereços havia descoberto na internet, através da lista telefônica italiana) – mas, infelizmente, não foi possível.
Novamente, uma cidade visitada pelo aspecto raízes da coisa.
Firenze
Berço do Renascimento, Florença é aquela cidade que não se deve deixar de visitar – menos por sua beleza (já que a cidade é um bocado feia) e mais por seu caráter histórico e seus museus arquifamosos.
O centro é história do começo ao fim, com uma infinidade de praças, fontes e estátuas. O casario é bem antigo, e nem sempre bem preservado. A catedral é bem bonita mas, francamente, é apenas uma igreja.
A principal atração da cidade é a Uffizi, o museu-mor da Itália, com obras de todos os artistas italianos mais célebres (da Vinci, Michelangelo, Rafael, Boticelli, Caravaggio e outras tartarugas ninja). Vi, entre outros, a "Adoração dos Magos" (aquele quadro inacabado bastante famoso do da Vinci) e "O Nascimento de Vênus" (do Boticelli, com uma loira de cabelos longos sobre uma concha), fora vários quadros que reconheci dos meus livros de história. Passam-se, facilmente, horas nesse museu.
Só não vimos o Davi, de Michelangelo: 8€ e uma fila colossal. Ficará para a próxima.
Mas o ponto alto da nossa visita a Firenze (quiçá de toda a viagem) foi a interação do Pedro com um pobre florentino. Procurávamos o apartamento de dois amigos brasileiros que estagiavam por lá (e que nos abrigariam), localizado no centro da cidade. O monolingüe Pedro resolveu, então, abordar um velhinho na rua, com o objetivo de colher informações. Numa mistura de francês, italiano e portunhol com sotaque carioca, ele soltou (transcrevo a versão fonética de sua frase, já que o idioma por ele utilizado, no momento, não tem uma gramática formal):
"Bonsoare, tchertchamos el cientro!"
Para que aqueles que não dominam todos os três idiomas utilizados tenham noção da profundidade lingüística dessa frase, seguem alguns esclarecimentos.
Em italiano (fonético), essa frase seria:
"Buóna céra, tchercamo il tchentro"
Em francês (fonético), seria:
"Bonsôarr, nu cherrchom lã santrre"
E, finalmente, em portunhol com sotaque carioca (fonético), ficaria:
"Bonas notches, procuriámos el cientro (mérrmão!)"
O mais impressionante foi que o velhinho entendeu e nos ajudou. E o Pedro, depois de ser ridicularizado pelo resto do grupo durante um bom tempo, disse: "E o pior é que na hora eu pensei que tivesse mandado bem, que só tinha errado o 'il'".
Poppi
Poppi é outra cidadola desconhecida, cravada no meio da bela Toscana.
Seu interesse residia num castelo, o mundialmente famoso: Castello dei Conti Guidi! Meu castelo é medieval e bastante modesto, mas sua localização dramática no topo de uma montanha o tornava razoavelmente interessante.
Só não passamos a noite lá pois estavam com um problema no ar condicionado – e seria um ultraje, para alguém de sangue azul como eu, passar uma noite no calor. Um ultraje!
(continua...)