17/10/2007

Itália (parte II)

e-Mail originalmente enviado a familiares e amigos no dia 29/07/2004.

Lembrando que todos os nomes mencionados são fictícios.


***

(...continuação)


Belfiore

Essa é a cidade onde viveu um dos meus tataravôs. Ficava no caminho para Veneza, demos uma passada bem rápida por lá. A cidade deve ter uns três habitantes e fica no meio do nada. Bati algumas fotos e foi tudo. Valeu pelo aspecto raízes.


Venezia

Ah, Veneza! Parece exagero, parece mentira, mas é difícil descrever a cidade – ela é diferente de tudo o que já vi.

Para começar, lá não há carros – pois ruas também não há! Também não se encontra construções modernas (ou que ao menos pareçam modernas). É uma profusão de canais, casario antigo e lojas de souvenir. Recheada de turistas e gôndolas. Não tem como não ser única.

Fizemos tudo o que um turista de respeito deve fazer quando for a Veneza: andamos de Vaporetto (ônibus de Veneza, um barcão motorizado) pelo Canal Grande (a "avenida central" da cidade), visitamos a Basilica di San Marco, assustamos os pombos na praça de mesmo nome, vagamos pelo centro medieval, cruzamos a Ponte di Rialto, fotografamos a Ponte dei Suspiri (onde o Casanova xavecava a mulherada há alguns séculos) e, mais importante: andamos de gôndola.

Andar de gôndola é algo que não se pode deixar de fazer. Menos pelo caráter turístico (pode-se ver a pé tudo o que se vê de gôndola), mais pelo caráter experiência de vida. É uma paz de espírito... O único porém é o caráter financeiro da história: os gondoleiros não têm escrúpulos de enfiar a faca até o cabo. Pechinchamos, conseguimos uns 50€ de desconto com relação ao preço original (que, acredito, só turistas orientais aceitam pagar), mas ainda assim ficou caro. Por isso exigi que nosso gondoleiro fosse típico. O grupo estava prestes a fechar negócio (a pechincha é tão complicada que podemos considerar um negócio) com um gondoleiro gordo, de camiseta branca e sem chapéu. Perguntei se ele tinha chapéu, falou que podia arranjar. Perguntei se tinha uma camisa listrada (como todo bom gondoleiro!) e ele disse que não. Recusei-me a embarcar com um gondoleiro tão atípico. Aposto que ele me daria uma remada se o remo estivesse à mão! E o grupo ajudaria a pegar o remo, se, 5 minutos mais tarde, não tivéssemos encontrado um gondoleiro de chapéu e camisa listrada, que cobrava o mesmo preço. Respirei aliviado e fizemos um passeio de gôndola o mais típico possível.

A cidade não fede, como diz a lenda (ou talvez o metrô de Paris tenha afetado meu olfato). Um dos pontos altos da viagem.


Bologna

Nosso objetivo era Florença (Firenze, no idioma de Dante). Mas entre Venezia e Firenze fica Bologna. Como era hora do almoço, resolvemos dar uma passada lá para provar um spaghetti allá bolognese. Mais típico, impossível.

A cidade não tinha nada de especial, mas certamente valeu pelo macarrão (que também não tinha nada de especial).


Imola

Outra cidade desimportante que ficava no caminho e foi visitada por um motivo escuso. Dessa vez o motivo escuso era o autódromo onde morreu Ayrton Senna. Passamos no autódromo e visitamos o memorial Ayrton Senna (uma estátua em bronze minúscula e escondida nos confins de um parque enorme). Fotos e só.


(continua...)


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