e-Mail originalmente enviado a familiares e amigos no dia 18/05/2004.
Lembrando que todos os nomes mencionados são fictícios.
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(...continuação)
Genebra (Genève)
Depois de Luxemburgo partimos para a Suíça, começando por Genebra – que, ao contrário do que muita gente pensa, além de não ser a capital do país, fica praticamente na França (tanto que o hotel em que dormimos, embora se chamasse "Formule 1 Genève", ficava na França...).
A cidade é bem rica, assim como o resto do país. Sabiam que um dos maiores níveis salariais do mundo é o da Suíça? (não preciso dizer qual país tem salários maiores...) Bancos por toda a parte! E bancos de toda parte também (a expressão "conta na Suíça" não é famosa à toa).
Os pontos altos são a catedral em que pregou João Calvino, o precursor do Calvinismo (quem não dormiu nas aulas de história já ouviu ao menos falar!), menos pela beleza e mais pelo fato de estar nos livros de história; e a sede (européia, sussurrado) da ONU.
Fizemos um tour guiado e prazeirosíssimo de uma hora na sede (européia, mas nem por isso desimportante) da ONU, com direito a usar aqueles monofones de ouvido que só os chefes de estado e os muito fodões usam (mesmo que o dito monofone estivesse desligado). Tour com direito a credenciais da sede (européia mas limpinha) da ONU, onde aprendemos que tudo o que é importante é feito na sede de Nova York.
Quase ia me esquecendo que outro ponto alto foi a visita aos laboratórios CERN. Quem estudou física na UNICAMP deve se lembrar desse laboratório, que tem um acelerador de partículas de alguns kms de perímetro. Eu, que estive presente, posso afirmar: as partículas aceleradas são muito, mas MUITO mais divertidas que as partículas não aceleradas. Tentei fotografar uma delas, mas ela estava tão acelerada que a tarefa revelou-se impossível.
Nota: o CERN estava fechado e uma vigia bem mal-humorada não nos deixou nem passear pelo estacionamento. O relato estava morno demais e eu resolvi dar uma apimentada. Mas o que não é mentira é que vimos uma figura muito parecida com o Doutor Brown do “De Volta Para o Futuro” deixar o laboratório (provas fotográficas no álbum). Por que ele estava pegando um ônibus e não o seu DeLorean para voltar para o futuro, eu não sei. Mas a situação foi toda muito suspeita.
Berna (Bern)
A (desconhecida) capital da Suíça foi nossa próxima parada. Passamos algumas horas numa das cidades mais interessantes da viagem. Tem uma aparência medieval e praticamente todas as suas calçadas são cobertas, pois os edifícios (medievais), de alguns andares, têm o primeiro andar avançado em direção à rua. Uma arquitetura providencial em dias de chuva (como era o caso).
Passamos pela casa onde morou Einstein (que, infelizmente, não estava lá), mas o ponto alto da cidade mesmo é um poço de ursos. Dessa vez, ao invés de cânion, o centro da cidade tinha um poço com três adoráveis ursos. Sem grades, sem muros, sem ingresso. Um poço, no meio da cidade, com três ursos. No mínimo, inusitado.
Terminado o passeio e batida a fome, os intrépidos viajantes (éramos quatro: eu, Juliana, Paula e Ewerton, todos estudantes brasileiros morando em Lille) decidiram comer bem e pagar pouco. Solução? Fomos num parque da cidade (o Rosegarten, jardim de rosas, localização privilegiada), abrimos uma lata de raviólis (dos mais baratos) e o esquentamos com meu fogareiro (recém adquirido com o propósito de diminuir gastos com alimentação durante viagens). Suco de laranja (do mais barato) para acompanhar e, para arrematar, chocolates (franceses... dos mais baratos). Alguns centavos por uma refeição que não teve preço. É claro que para todas as outras existe Mastercard.
(continua...)