21/11/2007

Enóis no zalpe (parte V)

e-Mail originalmente enviado a familiares e amigos no dia 18/05/2004.

Lembrando que todos os nomes mencionados são fictícios.


***

(...continuação)


Salzburgo (Salzburg)

Conhecido o Liechtenstein (pronuncia-se algo do tipo "li-rri-tem-xi-tá-im"), partimos rumo à Áustria. Na região do Tirol (oleleí, oleleí-uh!), atravessei o que acredito ser o maior túnel do mundo, com perto de 25km de extensão. Era túnel que não acabava mais! Estranho, para não dizer claustrofóbico.

Passados muitos túneis, chegamos em Salzburgo, cidade natal de Mozart. Muito bonita, bem antiga, predominantemente branca (na arquitetura, e obviamente também na etnia, o que não vem ao caso), dividida em duas bandas pelo Rio Salzach (lembram desse rio? Eu também não lembrava). Pequena e, repito, muito bonita. Serviu de locação para o filme "A Noviça Rebelde".

A paisagem é marcada, além dos Alpes tiroleses, por um grande castelo no alto de um morro. Também no centro da cidade. Enquanto no centro de Piracicaba a gente encontra o Mercadão (onde se come um delicioso pastel de vento), por essas bandas tem cânion, ursos e castelos.

O ponto negativo da cidade fica para as tumbas da catedral franciscana. Corremos feito loucos para tentar ver as infames no primeiro dia de viagem, mas demos com as caras na porta. No dia seguinte batemos cartão cedinho e, 1.50 euros depois, subimos um morrinho escuro e úmido (sempre pensei que se descesse para se chegar a catacumbas...) para ver uns túmulos bem vagabundos. Sem esqueletos, sem fantasmas nem mortos-vivos. Não recomendo.


Viena (Wien)

Viena já foi considerada, durante muito tempo, a cidade mais rica da Europa. E ainda se percebe os reflexos desse passado glorioso nos dias de hoje: além do alto custo de vida, vê-se prédios imponentes, ruas limpas e largas e muitos (MUITOS) museus, teatros e casas de concertos. Foi a única cidade que conheci em que os outdoors de exposições e espetáculos competiam com outdoors tradicionais de cigarros, carros e cervejas. Ganhando a competição.

É claro que toda essa sofisticação tem um preço e tivemos de deixar a ópera para uma próxima oportunidade.

Visitamos as jóias da coroa austríaca (e descobri de onde vem a expressão "jóias da coroa"), algumas igrejas (só vi mais igrejas numa mesma viagem quando fui para Ouro Preto), o museu da música (onde regi uma orquestra virtual e fui deposto por um violoncelista revolto). Visitamos também o apartamento onde Freud morou durante quase toda sua vida – e ainda estou chateado que não encontramos lá o famoso divã (que não sei onde diabos estava!). E comemos uma besteira típica chamada Langos: um anelzão de massa fina pincelado na manteiga e no alho – muito bom!

Mas o ponto alto da nossa estadia foi a surpresinha do acolhedor albergue Believe It Or Not, a opção mais barata (e decadente) de alojamento em Viena. Um apartamento pequeno e estranho, num prédio fedido e semi-abandonado, onde jovens do mundo inteiro racham um único banheiro e dormem amontoados. Quando estiver de passagem por Viena, não esqueça: Believe It Or Not. Acredite!


(continua...)


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