Lembrando que todos os nomes mencionados são fictícios.
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(...continuação)
Berlim (Berlin)
Para finalizar nossa odisséia centro-européia, conhecemos Berlim. Simpática, bonita e, diferente de todas as outras cidades que tínhamos visitado até então, muito moderna. A pobre já foi destruída tantas vezes que a maioria dos edifícios e monumentos foi construído há pouco mais de 50 anos. Arquitetura arrojada, arranha-céus – algo bastante incomum em se tratando do velho continente (que não é velho continente à toa).
As guerras marcam a cidade, sejam as mundiais, seja a fria. É memorial ao soldado soviético, memorial ao soldado alemão, memorial aos judeus. Visitamos o que sobrou da antiga sede da Gestapo, que abriga um museu sobre o holocausto. O mais impressionante mesmo são as ruínas de uma antiga igreja, no centro da cidade (lá venho eu de novo com essa história de centro da cidade!). Não sobrou muito depois dos bombardeios da segunda guerra, mas ver aquele pedaço de igreja em meio à selva de concreto armado é tocante.
E é claro que não poderia deixar de visitar a maior atração turística da cidade: o Muro de Berlim. Não sobrou muito dele (afinal, quem não esteve em coma nos últimos 15 anos sabe que ele foi derrubado), mas ainda restam, por questões históricas (e turísticas) alguns bons pedaços. Alguns foram pintados por artistas plásticos e convertidos em galerias a céu aberto, outros restam cinzentos e feios tal qual deveriam aparecer nos áureos tempos de guerra fria. E o interessante é que existe um marco no chão por onde antes passava o muro: uns tijolos escuros que cortam asfalto e calçadas, incrustados de placas metálicas com os dizeres "Berliner Mauer" – o que, do alto do meu alemão mais do que fluente, deve significar "Muro de Berlim".
O ponto alto foi quando Paula, nossa então navegadora, apontou para um baita de um canteiro de obras dizendo que, segundo o mapa que ela tinha nas mãos, aquela seria a praça onde os nazistas fizeram a queima geral de livros (o que foi diferente de uma liquidação na Fnac). Foram necessários alguns segundos, depois do choque com o descaso alemão com relação a esse monumento histórico, para olharmos na direção oposta e vermos uma singela pracinha. E proclamarmos um novo navegador.
Volta Para Casa – Autobahn
Depois de dois dias em Berlim, atravessamos a Alemanha de leste a oeste (sem paradas...) nas famosas autobahns, estradas impecáveis, livres de caminhões e sem limite de velocidade. Se por um lado é interessante poder guiar a 170km/h sem medo de ser multado, é assustador ver que carros melhores que o nosso pejozinho 206 alugado não se intimidam de colar na nossa traseira e de piscar o farol alto enquanto estamos no limite da máquina. E na Alemanha o que não falta é BMW.
Moral da história: quando todo mundo ao seu redor corre acima dos 200km/h, você se sente na mais lenta das carrangas quando está a 170.
Moral da história 2: em terra de BMW, quem tem Peugeot 206 é plebeu.
Com direito à participação especial de Holanda e Bélgica (que ficavam no meio do caminho) e oito velozes e cansativas horas depois, estávamos em Lille. Sãos e salvos (embora eu tivesse feito o possível para mudar este quadro com a minha direção exemplar).
Conclusão
Seis países e 3900km rodados em dez dias é uma correria danada. E, embora não tenhamos andado de trenó de renas nem sentado no colo do bom velhinho (uia!), a viagem foi muito boa. Believe it or not!
Àqueles que chegaram até o fim desse relato, não prometo nada, já que depois de Liechtenstein ando mais esperto e fazendo menos apostas idiotas. Mas agradeço a atenção. Até a próxima!
(nesse momento o palco se enche de fumaça, um disco voador cor de rosa abre suas portas e eu me alojo confortavelmente no seu interior, acompanhado de um baixinho).
Grande abraço a todos,
Mauro

2 comentários:
Muito legal o diario todo :D
Nossa, adorei os "diarios". Porque não escreve mais? ;~~
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